Pedimos a colaboração de todos para ajudarmos os mais
necessitados. Durante todo o mês estaremos aceitando doações de produtos não
perecíveis. Queremos pelo menos amenizar a situação de quem não tem o que
comer, toda ajuda será bem-vinda. As doações poderão ser entregues na
secretaria da instituição. No primeiro domingo do próximo mês faremos uma
confraternização para agradecer a todos.
Este anúncio foi afixado nas
paredes do clube. A associação não era de fazer obras sociais, mas desta vez o
presidente queria fazer algo para chamar a atenção, e chamará. Ele tem em mente
o que pode acontecer, mesmo assim, torce para não acontecer. Embora a reação
final possa ser surpreendente, é aguardar e ver.
E o mês vai passando, nos
primeiros dias a arrecadação está no conta- gotas, mas vai aumentando com o
passar dos dias. Nos três últimos, superou a expectativa. Claro, não chegou ao
resultado esperado, mas o pessoal doou. Agora era o momento de contabilizar o
que foi doado e ver de que forma seria entregue às famílias necessitadas.
- James, fizemos a contabilidade.
Foi doado 800 quilos de alimentos, porém 60% é sal. Acredita que veio só um
pacote de arroz de 5 quilos?
- Vocês contaram direitinho, né?
Pois é, esse era o resultado que eu estava esperando. Torci para estar errado,
mas como vocês mesmos puderam ver eu não estava errado, estava muito certo.
- Mas teremos mesmo assim a
confraternização no domingo?
- Sim, será um almoço. Avise o
pessoal que será inesquecível. O resto, deixa comigo, aguardem e confiem.
Chega o domingo, James faz
questão dele mesmo preparar o almoço, não deixa ninguém entrar na cozinha. Por
volta de 11:h30 o pessoal já vem chegando. Apareceram mais pessoas para festa
do que doadores. Ele também esperava por isso.
Meio dia, todos ajeitados na
mesa, e com fome, diga-se de passagem. As panelas são trazidas, nesse momento
as assistentes de James já sabiam o que ele aprontou, nos lábios delas havia um
sorriso sarcástico. Instruíram que todos fossem para a fila para se servir. Um
a um foi se chegando às panelas, e quando se deparavam com elas, a revolta foi
grande. Ouviram-se alguns xingamentos pesados, ameaçaram até tocar fogo no local.
Sabe por quê? Porque nas panelas só havia sal. Isso mesmo, nada além de sal,
nem água para diluir tinha. James pegou o microfone e falou:
- Não entendo o motivo da
revolta, vocês não comem sal? Pensei que comessem, afinal 60% do que vocês
doaram foi justamente sal. Então, se vocês ficaram assim com a “surpresa”, o
que dirá das pessoas que estavam esperando receber um alimento?! Tipo, você
chega com o sal, daí ela já tem ingrediente para preparar o “grude” dela. Não
vou nem falar que 10% do que foi arrecadado é produto vencido, teve um pacote
de feijão que venceu há três anos. Vocês dariam essas coisas
para seus filhos? Então, por que acham que os outros podem comer isso?! Vamos
fazer nossa campanha de arrecadação de alimentos, vocês têm uma semana para trazer,
domingo que vem minha equipe e eu, e quem quiser nos acompanhar, irá entregar.
Não preciso dizer que podem trazer qualquer produto não perecível, exceto sal.
Foi inusitada a ação de James,
mas valeu o protesto dele, em uma semana a associação arrecadou bem mais do que
o mês passado inteiro, e claro dessa vez ninguém trouxe sal.
Esta é uma obra de ficção, qualquer semelhança com nomes fatos ou acontecimentos reais terá sido mera coincidência