Escrever
é um dom, isso é inegável. Mas até mesmo
o maior dos letrados tem seus momentos de não inspiração. Há momentos que as palavras não vêm, as letras
custam a surgir e a mente fica vagueando em busca de algo a dizer. Querer dizer
algo, procurar um tema, mas o que se já escreveste de tudo? Para um contista
uma borboleta pousando em uma margarida vira poesia, inspira os apaixonados e
acaba em acordes de violão. Mas quando as idéias não surgem? A flor aguçará sua
alergia e você descobrirá que tem fobia a mariposas: pronto, agora você terá um
roteiro de filme de terror falando de borboletas assassinas.
É
incrível que com 26 letras apenas pode-se preencher infinitas páginas. Mas o
que escrever quando não se sabe o que falar? É incrível que a mais simples
expressão: aí, até o complexo pneumoultramicroscopicossilicovulcanoconiótico ganha
sentido com elas. Mas, quando não se sabe o que falar, quando não consegue se
expressar, toda tentativa parecerá nula. E nenhuma junção de letras fará
sentido.
Dizem
que a única ciência irrefutável e a dos números, mas tente escrever sem ter
nada a dizer. Até a mais complexa fórmula matemática se assemelhará a um
embaralhamento de letras. E se não há nada para dizer números e letras
tornam-se semelhantes: apenas caligrafados num papel sem nada acrescentar, sem
demonstrar objetivo prático. Dizem também que o silêncio pode falar mais alto
do que qualquer eloquente em um discurso. Pode falar, mas não escrever. O
silêncio é bênção para sentar e escrever, as idéias vêm, mas quando não se tem
o que dizer até o silêncio torna-se assustador.
O
que escrever quando não se sabe o que dizer? Quando você quer reinventar a roda,
mas, simplesmente a única coisa que ecoa em sua mente é sons de grilos. Rascunha,
rascunha e nada, as folhas amassadas e jogadas ao chão vão se acumulando e você
sem nada a dizer. Quando não se tem nada
a dizer, o melhor é não dizer.

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