quinta-feira, 29 de outubro de 2015

Fim do filho único

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1,3 bilhão de pessoas vivem atualmente na China, população muito superior a todo o continente Americano que tem 954 milhões de habitantes. O país no final dos anos 70 criou a política do filho único, cada casal poderia ter apenas um filho; medidas que visavam à redução populacional. Com isso a densidade demográfica cairia, afinal, a China precisava parar com o crescimento, e para isso é necessário uma taxa de natalidade inferior a 2,1.  

Estima-se que devido a esse controle 400 milhões de pessoas deixaram de nascer, porém, a estudos que dizem que muitas crianças nascidas não foram registradas, dessa forma, não existem oficialmente. A maioria são meninas, que hoje vivem como se não existissem. No interior era mais fácil fugir da fiscalização, lá os pais tinham mais filhos, até porque era necessário para ajudar no campo.

Os chineses tem uma forte cresça que é o filho homem que deve cuidar dos pais na velhice, sendo assim as meninas são preteridas. Muitas são abandonas, ou nem chegaram a nascer, foram abortadas. O governo até proibiu divulgarem o sexo no ultrassom com meio de tentar acabar com essa prática.

Outra questão: existem mais homens do que mulheres, muitos jovens ficam solteiros e acabam sequestrando moças para que elas venham ser suas esposas. A obrigatoriedade do filho único trouxe muitos transtornos, e a consequência esta ai agora. Mas, o governo pretende acabar com essa obrigatoriedade, irá permitir que os casais tenham até dois filhos. Importante medida,  já estão planejando o futuro, pois, se continuar da forma como esta o país entrará em colapso quando essa geração envelhecer.

Ser pai e mãe é um direito de cada casal, é justo que eles escolham quantos herdeiros irão querer, é justo que eles façam planejamento de acordo com suas possibilidades. Quem pode ter um que tenha um; quem pode ter mais que tenha mais. 

segunda-feira, 26 de outubro de 2015

Esquerdando no Enem

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O Exame Nacional do Ensino Médio foi realizado no último fim de semana; nesse ano a polemica se deu por questões doutrinatórias: feminismo, socialismo, capitalismo opressor, globalização e desemprego, vitimíssimo e muito “mimimi” . De todas as questões risíveis, a que mais gerou polêmica e repercussão nas redes sociais foi essa:

“Ninguém nasce mulher: torna-se mulher. Nenhum destino biológico, psíquico, econômico define a forma que a fêmea humana assume no seio da sociedade; é o conjunto da civilização que elabora esse produto intermediário entre o macho e o castrado que qualificam o feminino.”

 Sim, um tapa na cara da biologia. Mas, já que levaram a questão para o lado sociológico, vamos lá: Simone Beauvoir é a autora da pérola; admirada pelas feministas e muito defendida por elas. Mas, quem foi essa mulher?  Uma de suas bandeiras foi lutar para que afrouxassem as leis em relação à pedofilia.  Mas, por que isso? Basta analisar o histórico dessa senhora: Ela tinha um caso com Jean Sartre, aproveitou-se do seu oficio de professora para atrair meninas e prepara-las para serem entregues a ele, que segundo consta tinha por objetivo tirar a virgindade das mesmas.

Ela ainda dedicou-se ao nazismo, na época que a França estava ocupada por nazistas, Simone trabalhava na Rádio Vichy, rádio que era porta voz dessa ideologia. Autores feministas, como a Dra. Ingrid Galster, que dedicou anos de sua vida a estudar Simone de Beauvoir, admitem, mesmo a contragosto, que a atitude manifesta por Beauvoir como diretora de sonografia na máquina de propaganda nazista era, no mínimo, de colaboracionismo sutil e a forma pela qual ela chegou àquele trabalho não foi via coerção – mas sim por uma escolha perfeitamente consciente.

Casamento, feminilidade e a maternidade? Em um debate sobre o assunto, ela respondeu: "Não, nós não cremos que qualquer mulher deva ter essa escolha. Nenhuma mulher deveria ser autorizada a ficar em casa para criar crianças. A Sociedade deveria ser totalmente diferente. As mulheres não deveriam ter essa escolha, exatamente porque se houver tal opção, mulheres demais irão fazê-la. É uma forma de forçar as mulheres em uma certa direção. Em minha opinião, enquanto a família e o mito da família e o mito da maternidade e o instinto maternal não forem destruídos, as mulheres continuarão a ser oprimidas. A maternidade relega a mulher a uma existência sedentária; é natural para ela ficar em casa enquanto os homens caçam, pescam e vão à guerra." Palavras de Simone.

Essa foi a vida de uma das heroínas do movimento feminista, foi a vida da pessoa que ganhou destaque positivo num exame onde mais de sete milhões de pessoas realizaram. Qual foi a intenção dos elaboradores da prova? Posição política cada um tem a sua, afinal, o Brasil ainda vive numa democracia, mas, apontar a ideologia de esquerda como linda e a direita como opressora  isso na real é: desonestidade intelectual. 

quinta-feira, 22 de outubro de 2015

Embalado por um sonho


Todo garoto tem um sonho e cada garoto tem um objetivo na vida. Alguns são mais dedicados aos estudos, e sonham em ser médico, advogado ou coisa equivalente. Outros, não são assim tão chegados em livros, e planejam a vida em gramados ou em casa de espetáculo, levando a música a todos os cantos. Altamiro Barnabé, vulgo Miro, não tem dom para estudar e muito menos para jogar bola. Ainda bem, pois ele nunca gostou, o que ele gosta é de cantar. Mora a 300 quilômetros da capital, mas não do sonho.

No dia em que saí de casa, minha mãe me disse: Miro vem cá. (canto todo desafinado).
Miroooooooooooo!!
Que foi, mãe!
Outra vez debaixo dessa árvore, passa o dia todo debaixo dela cantando e cantando, seu pai teria muito desgosto de você.
Mãe, a senhora está equivocada, eu garanto que o meu pai teria muito orgulho de mim, muito, pois eu sou a cópia mais que exata dele, e falando em desgosto, como foi que ele morreu mesmo?

Maria, mãe do Miro, dá um tapa na cara dele:   Moleque mal-educado, nunca esqueça que eu sou sua mãe e se você pensa que tem o direito de falar desta forma comigo, não se considere mais meu filho. 
Mas mãe, veja bem, este é o meu sonho, você sabe que eu tenho um canário dentro de mim, a música está em minhas veias.  
Música não enche barriga de ninguém.
Mãe, leia os meus lábios, você ainda terá muito orgulho de mim, minha música ainda será tema de abertura daquelas novelas enjoadas que você vê.
Miro! Miro!  O máximo que você animaria, seria um nascimento de bezerro.
Mãe, lembre-se dessas palavras que você disse, só lembre. Agora vou lá no Zé.

Zé era mais do que primo de Altamiro, era o parceiro da música.
Cara, que coincidência, há uns cinco minutos, eu estava pensando em você.
Não diga uma coisa dessas, homem.
Mas por quê?
Cara, você tem que pensar em nossa música: “Eu caminhei sozinho pela rua, falei com as estrelas e com a lua”. E não em mim.
A moto está pronta. Pode partir quando você quiser.
Maravilha! Ah? Você não vai, qual é a “marézinha”, dessa vez?
Eu não sou irresponsável como você. Tenho mãe, e vou ter de cuidar da sua também, pode ir, vá. Mande notícias, não deixe sua mãe preocupada.
Só diga a ela que ela terá notícias minhas por meio das revistas de fofoca que ela lê.

Sem nem dizer adeus, pega a moto, e vai para a capital. Vai sonhando, vai sorrindo com o futuro que projeta em sua mente. Com ele vai apenas o violão e R$ 500,00. Dinheiro suficiente para pagar um mês de pensão. Na cabeça dele, já era um cara famoso, um artista que iria reunir multidões.  Porém, como um mês passa na vida de todo mundo, para ele não foi diferente. A grana acabou. Se não fizesse nada, teria de ir embora ou dormir na rua. Numa última tacada, resolve ir até uma agência, era sua última esperança.

Mocinha, tenho uma entrevista com o “sangue bom” desse lugar.
Você, quem é?
Altamiro Barnabé, o rei do interior.
Aguarde um momento. -  Miro aguarda, só não imaginava que teria que esperar por 1 hora. Mas, enfim ele entra.
 Você é de onde, e está fazendo o quê aqui?
Sou do interior, vim realizar o meu sonho, que aliás, já está se concretizando.
— Vamos ver. Por que você quer ser cantor?
Bem, eu gosto de música e também porque quero proporcionar uma vida digna para mim mesmo; carros, viagens, mulheres....
Você só tagarelou, não ouvi sua música, toque alguma coisa para eu ouvir.
Sem crise (começa a tocar o violão). “Alô, Amor! estou te ligando de um orelhão, está um barulho, uma confusão, mas eu quero tanto te falar; depois das 6 estou te esperando no mesmo lugar “.
Sertanejo?
Sertanejo. Música boa.
Putz cara, Sertanejo?! É, vindo do interior de Goiás, não poderia esperar outra coisa.  Até parece que não existe outro tipo de música.
Bem cara...
Cara não, Davi para você.
Tá bom, Davi para mim. Eu poderia tocar quem sabe um pagode, mas pagode é música de desempregado. Eu poderia ainda quem sabe tocar um forró, um sambinha, mas não. Se você não gosta, tem mil produtores lá fora que gostam.
O que está esperando, então?
Também não vamos perder a razão.
Saia da sala, será melhor para você.
Tudo bem. O senhor ainda vai se arrepender, vai ouvir falar muito de mim.
Bem, eu não me interesso pela parte policial dos jornais.
Miro sai da sala abatido. A mocinha da recepção percebe.
Não teve sorte, não é mesmo?
Mais ou menos. Ele até disse que nunca tinha visto um talento incrível como o meu....
Espera! Não diga mais nada, é melhor você desistir, aqui nessa cidade suas chances já eram. Agora ele vai falar de você para todos os produtores, ele já vai fazer sua cama, é melhor ir para sua cidade.
Se ele fizer minha cama, minha mãe vai adorar, já que é sempre ela quem faz. O problema é, com que cara que vou chegar em casa?
Tudo se resolve. Adeus!  

Altamiro pega o caminho de volta, diferente da ida, não vai mais sonhando. O sorriso deu lugar às lagrimas. E quando chega em casa, tenta disfarçar.
Mãe!!!
Filho! 
Maria saiu correndo, agarra e o beija com toda a alegria.
Mãe do céu! eu quase consegui gravar meu disco, só não gravei porque acabou a luz no dia. Dentro de um ano a luz volta e eu estarei lá no estúdio gravando e fazendo o que gosto.
Tudo isso, para voltar a luz?
 Para a senhora ver, mãe.
Nesse meio tempo, o Zé percebe que o primo voltou e vai até lá para conversar com ele.
Tarde!!
 Tarde.
 E aí primo, já voltou? Quebrou a cara na tal da capital?
Não. Digamos apenas que ainda não chegou a minha hora. Mas ela vai chegar. Ah, se vai! E quando ela chegar, será o máximo. Goiânia serviu de experiência para mim. Em breve farei voos maiores, por hora, vou-me “atipar” por aqui mesmo.
Filho, você ainda não caiu na real, daqui você não sairá mais.
Foi legal, mãe. Zé, você precisa ir também.
Mas não vou mesmo, sou mais do que feliz aqui. Amo esse lugar, amo mesmo. Sua mãe é minha testemunha.
É filho, ele está feliz. Aqui é nossa terra, aqui mora a nossa gente, nossas raízes. Até acredito quando você fala que a capital é o máximo. Mas lá, não tem o que temos aqui.
Eu sei onde vocês querem chegar. E lá no fundo do coração, também penso desta forma. Aqui a gente é feliz e não sabe.
Não Miro, só você que não sabe.
Mas chega de falar só de mim. Vou pegar a minha viola para fazermos um festerê. - “Do que me adianta viver na cidade se a felicidade não me acompanhar. Adeus paulistinha do meu bem querer lá pro meu sertão eu quero voltar”. 

Esta é uma obra de ficção, qualquer semelhança com nomes fatos ou acontecimentos reais terá sido mera coincidência.

quarta-feira, 21 de outubro de 2015

Bem Vindo Martin McFly


Hoje, 21 de outubro, é uma data especial para os fãs do cinema, para ser mais preciso essa data é especial para os fãs da trilogia De Volta para o futuro. De acordo com o enredo Martin McFly veio de 1985, para a data de hoje.

30 anos atrás o mundo era um pouco diferente, tentaram idealizar como seria o mundo no presente ano: houve erros e acertos.  Roupas que secam sozinho, sapatos que se amarram quando se calça, mini pizza virando big, carros e skates voadores; nada disso existe ainda. Porém, vídeo game com movimento do corpo, vídeo conferência, assistir mais de um canal ao mesmo tempo, portas que se abrem com a digital; isso existe.

Mesmo com tantas previsões furadas podemos perceber o quanto o mundo evoluiu nos últimos anos. Hoje, temos um mundo com uma tecnologia inimaginável anos atrás. E foi além do que o filme previu: na história o fax seria popular, hoje é um meio ultrapassado, meios eletrônicos como a internet foi além da previsão do filme.

A ficção transcende a imaginação, se fosse possível viajar no tempo seria a maior inovação da história. No entanto, a teoria da relatividade de Albert Einstein, afirma que pode ser possível tal viagem, mas, apenas para o futuro; a teoria diz que se conseguir acelerar mais rápido do que a luz ( 300 000 km² por segundo)  seria possível tal viagem. Sabemos, que por hora isso é impossível e que se deslocar no tempo ficará apenas para filmes, histórias e teorias. E outro detalhe, se viajar no tempo for possível um dia, então porquê não recebemos visitas de pessoas do futuro? 


Direito a greve

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Estamos em greve (não o blog) frase temida muitas vezes, pois, deixará momentaneamente muitas pessoas na mão. Acredite trabalhador não gosta de fazer greve, porém, na maioria das vezes essa é a única solução encontrada para que sejam ouvidos e que possam negociar. Quem precisa dos serviços nesse tempo, fica revoltado acreditando ainda que a pessoa não tem o direito pois esta atrapalhando o direito dela .E por que isso? O ser humano na maioria das vezes sofre de uma "doença" chamada egocentrismo, não consegue enxergar um palmo à frente, não sabe ser solidário e não para pra pensar que ele também pode ser beneficiado se as reivindicações forem atendidas. Pois, com melhorias todos ganham.

Trabalhar é necessário e fundamental para a sobrevivência humana, o trabalho existe desde que o mundo e mundo, desde Adão. As condições de trabalho nem sempre foram assim, muitas vezes nem salário se tinha, apanhavam por fazer errado, muitas mortes, trabalhos por períodos desumanos e em lugares hostis.  Pelo menos na sociedade em que vivemos não presenciamos isso mais, embora ainda existam em determinadas partes do mundo. Direitos trabalhistas foram surgindo, isso fez com que a qualidade de vida também mudasse. Embora as condições atuais estejam muito melhor do que já foi um dia não significa que precisa engolir tudo. Muita coisa é necessário mudar ainda, por exemplo, tratar o trabalhador como humano. E isso é um ponto que precisa ser mudado, tanto pelos patrões como por clientes.

E uma das categorias que está em greve atualmente é dos bancários. O mais engraçado nisso é a desinformação das pessoas sobre a função. Alguns dizem que eles não podem fazer greve por que trabalham num horário privilegiado: das 10h às 16h. Quem afirma uma coisa dessa no mínimo é desinformado, eles não trabalham só nesses horários, existe expediente interno que em alguns casos passa de oito horas trabalhadas. E outro ponto importante, lidar com o público, isso é uma tarefa nada fácil, afinal muitos são mal educados e acham que tem o rei na barriga, querem coisas que não tem direito, pelo menos no momento. É só conversar com qualquer pessoa que trabalha com pessoas e ela terá inúmeras pérolas para contar.

Por isso, e por outros motivos que existe o direito a greve, infelizmente é dessa forma que se chama atenção, afinal, senão fizer barulho o governo não ouve. E não pense que greve é coisa de país atrasado, vários países desenvolvidos o trabalhador faz greve, a greve só é proibida em regimes opressores. Não critique a greve, apoie, afinal você tem a sua profissão sabe dos problemas não seja indiferente aos problemas dos outros. 

domingo, 11 de outubro de 2015

Enterro de caminhoneiro

Andar pelas estradas do país a fora, rodar com destino, mas rodar. Na maioria das vezes a estrada é a única companhia, ou um ou outro posto de gasolina para desestressar, jogar conversa fora, abastecer: não só o caminhão, mas a pança, essa principalmente. E Pedrão come, mas, come que é uma beleza.

É, mas a parada tem que ser rápida, já é noite e até o amanhecer será necessário cruzar o estado, mas, para isso tem que sacrificar algumas horas de sono, por isso é necessário beber da água que passarinho não bebe (leia-se rebite). Bebe numa entornada só, efeito ligeiro, parece um jovem de 20 anos. Já são 22 horas, a estrada espera. 

Na boléia vai animado, tudo para fazer jus ao bolero que toca na rádio. Dá uma piscada, mais já recupera; outra piscada dá um tapinha na cara. Vem o bocejo. 
- Só mais 50 quilômetros daí eu paro, palavra de escoteiro. 
50 vira 5, que vira o caminhão, que vinha a 120 por hora. 
São 22: 31: Pedrão fecha os olhos para sempre. O resgate até chega rápido, mas, já era. Pedrão preferiu chegar adiantado na próxima vida do que atrasado nessa. 

Na vida deu mais ênfase ao trabalho, do que a qualquer outra coisa, pouco via a família, mas mesmo assim os filhos amavam o pai para a mulher foi o único homem que ela amou. Calcule a dor ao saber que ele havia morrido num acidente na estrada.  Palavras, não podem descrever a dor. Agora só tinha que se preparar para o enterro e começar a bateria de ligações avisando que Pedrão já não estava mais entre nós.

Muita gente apareceu no guardamento, mas muita gente mesmo, Pedrão era querido.  Pena que passou muito pouco tempo com a família tinha vez que ficava dois meses fora de casa, dois meses sem ver a família, era uma situação difícil. E nem sempre conseguiam se falar pelo telefone. Ele estava prometendo se aposentar em 3 anos, queria ficar mais com a esposa e os filhos.

- Situação difícil, não é mesmo Marlene?

- Estou até sem palavras  Xandra .   ( Xandra era irmã de Pedrão)
- Existem coisas que não entendemos coisas que fogem a nossa compreensão.

- Verdade, meu marido era tão cuidadoso, sempre contava dos perigos que os colegas passavam. Como pode um homem assim, morrer tão tragicamente.

- Isso mostra que ninguém sabe o que nos aguarda lá na frente, só sabemos que ninguém fura a fila da eternidade.

Marlene era casada com ele faziam 30 anos, tiveram três filhos: Amanda, Luciana, Peter. Todos os filhos têm menos de 20 anos, e todos faziam projetos para que o pai estivesse junto, apesar da ausência o pai compensava a falta quando estava presente.
O enterro estava agendado para as quatro horas, quando faltavam quinze minutos vieram avisar que atrasaria um pouco, pois, nem todos haviam chegado ainda. Marlene disse que não se importa, afinal poderia passar mais tempo com o companheiro dela.

- Tem muita gente aqui que não conheço mãe!
- Eu também não Peter, mas isso por que seu pai era caminhoneiro, conhecia gente do país inteiro, era muito querido.

Nisso entra uma mulher com uma garotinha de 8 anos, elas caminham até o caixão.

- Filha Beija o Papai.
- Que? Que história é essa de papai – questiona Marlene

- Ué, eu sou a mulher dele e ela é a nossa filha. Atrasamo-nos por que moramos longe, respeite a minha dor.
- A mulher dele sou eu, tenho três filhos com ele: Amanda, Luciana e Peter. Sou casada a 30 anos com ele, você é uma mentirosa.
- Se sou uma mentirosa a minha filha aqui é o que. Ah, você deve ser a ex-mulher dele, ele me disse que era separado, sou casada com ele há 10 anos. Não sabia que você ainda corria atrás dele.

O barraco toma conta da capela mortuária, os demais presentes tentam acalmar os ânimos, mas é em vão, sobra soco até para quem vai separar a briga.  

- Calma senhoras, não é dessa forma que se resolvem as coisas, vamos esfriar a cabeça. Vamos enterrar o Pedrão primeiro depois que tudo estiver calmo, sentamos e conversamos. O Marido de vocês não merece passar por isso em seu último momento.
-Olha Oswaldo, seu que você foi o melhor amigo desse aí, mas não me pede para ficar calma. Fui traída a vida inteira, debochou de mim e só descubro no velório dele. É por isso que passava meses sem voltar para casa. Até um fruto ele teve por fora.
- Nem eu nem minha filha temos culpa de nada. Ele me disse que era separado, tanto que nós casamos se tem alguém enganada na história sou eu.
- Calma, calma senhoras, as duas foram enganadas, mas vamos com calma, o Pedrão não está mais aqui para se defender.
- Defender? Do quê? Você não percebe o que esta acontecendo? Isso tem defesa? Não tem defesa. Aliás, bigamia é crime. Minha nossa eu era casada com um criminoso.
- Os coveiros estão prontos, vamos sepultá-lo primeiro daí conversamos com mais calma.  
- Não, eu me recuso a participar desse momento. Se eu ficar sou capaz de cuspir na tumba dele, é melhor só essa aí. Já que ela se diz esposa, eu era a amante então.
- Marlene, Marlene....
- Não adianta, meus filhos e eu vamos embora e quem é meu amigo vai também, esse sujeito não merece nenhuma homenagem.

Um a um vão embora, poucos vão até o caixão, todos estão envergonhados com a situação inusitada que presenciaram.  
- Filha, perdão. Eu não sabia nada disso, nunca imaginei que ele já fosse casado. Trouxe você para se despedir, mas, agora não tenho palavras para definir nada disso que aconteceu. Dê um beijinho no seu pai pela última vez, é seu direito e vamos embora. Não vamos participar também.

Os coveiros terão boas histórias agora, porém, eles precisam enterrar o cidadão. Ninguém vai presenciar o momento, todos foram embora, Pedrão tinha muitos amigos, fez duas famílias, achou que se mantivesse uma em cada estado nunca teria problemas. Ele só não esperava por esse momento, morreu de uma forma trágica, muitos que o admiravam em vida foram dar adeus, porém presenciaram a verdadeira fase.  Quem antes só tinha motivos para ser elogiado, agora, só ficou com a última história, ficou com a verdade vinda à tona. Viveu como quis viver, porém morreu como plantou: envergonhado. Mesmo tendo muitos conhecidos, os únicos que presenciaram a terra cair sobre o caixão foi os três coveiros, e isso porque foram obrigados. 


Esta é uma obra de ficção, qualquer semelhança com nomes fatos ou acontecimentos reais terá sido mera coincidência. 

sexta-feira, 9 de outubro de 2015

Time de dono

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Charles Müller dizia que a profissionalização iria destruir o futebol.  E hoje o que vemos? Será que ele estava correto em sua afirmativa, ou exagerou um pouco em sua colocação? Qual é o problema do esporte render cifras milionárias e alguns casos bilionárias? Quem acompanha o esporte sabe da paixão que ele transmite, muitos abdicam de muitas coisas para poder acompanhar o time do coração, brigam e até se matam (literalmente), a maioria dos meninos sonha em ser jogador de futebol, o amor pelo esporte nem o fator decisivo, mas sim o glamour que está envolto no esporte. Por isso, o futebol não é o que um dia foi, o amante do esporte precisará se conformar com isso, ou terá que acompanhar a suburbana.

Lucro, futebol virou um negócio de belas cifras. Problema nisso?   Depende do ponto de vista. Se for analisar da forma como foi idealizado lá no início, podemos afirmar que sim. Hoje, não há amadorismo no futebol profissional, clubes são empresas e como empresa deseja lucro, com razão. No entanto, isso fez com que o amor a camisa desaparecesse. Quantos jogadores que juravam amor e fidelidade ao clube e na temporada seguinte já estavam beijando o escudo do rival. É engraçado, como profissional tem direito de querer ir para a concorrente quando bem entender, mas isso só demonstra que o futebol não é mais o mesmo. Os únicos que parecem acreditar que ainda se faz por amor é o torcedor.   

E os casos não param apenas em atletas, quantos times que você conhece que tiveram destaque, ganharam títulos, ou bateram na trave (inclusive de torneios internacionais) e hoje, não tem mais o mesmo gás que o início. Times desmontados, atletas vendidos (e muito bem vendidos) patrimônio desfeito e dividas gigantescas. Revelam atletas, vendem e depois não sabem onde foi investida a transação. Vemos muitos desses times surgindo por todos os cantos, durando poucas temporadas depois mudam de nome e desaparecem. Meninos ficam encantados com a possibilidade de virar um astro do esporte, muitos o que conseguem é só frustração, pois, existem "olheiros" que tem um único interesse de lucrar em cima do garoto, promete coisas que não existem, e vagas em times que ele nem contato possuí.

A perspectiva não é de mudança, a tendência é que cada vez gere mais e mais lucros para cartolas. Com isso quem perde é o esporte, principalmente em relação a tão badalada seleção, se você é antenado já deve ter percebido.