sexta-feira, 15 de agosto de 2025

Por que chamavam de “Azarar” o ato de paquerar? Entenda a origem da gíria

 


Quem viveu os anos 70, 80 e até 90 certamente já ouviu — ou até usou — a expressão “azarar” para se referir ao ato de paquerar alguém. Muito comum em rodas de jovens e até em músicas populares, o termo acabou se tornando parte da memória cultural brasileira. Mas, afinal, por que paquerar era chamado de azarar?

A origem da gíria “azarar”

A palavra “azarar” vem do espanhol “azara”, usada em alguns países latino-americanos para indicar insistência ou aproximação em busca de conquistar alguém. No Brasil, a gíria ganhou força especialmente entre os jovens nos anos 70 e 80, em plena era das discotecas, bailinhos de garagem e encontros em praças e clubes.

Com o tempo, “azarar” virou sinônimo de paquerar, cortejar ou “dar em cima”, sempre de forma divertida e até ingênua, típica da juventude daquela época.

Como os jovens usavam a expressão

Nos anos 70 e 80, paquerar era quase um ritual. Não havia aplicativos de namoro, nem redes sociais. O encontro acontecia em festas, praças, cinemas ou no famoso “ponto de ônibus”. O jovem interessado “ficava de olho” e, quando tomava coragem, comentava com os amigos:
“Hoje vou azarar aquela menina!”

A gíria, portanto, carregava um tom leve e descontraído, sem a conotação pesada que a palavra “azar” poderia sugerir em outros contextos.

O declínio da expressão

A partir dos anos 90, novas gírias começaram a ganhar espaço, como “ficar”, que substituiu “paquerar” em boa parte do vocabulário jovem. Aos poucos, “azarar” caiu em desuso, mas ainda é lembrado com carinho por quem viveu a época de ouro dessa expressão.

“Azarar” na música e na cultura

O termo também entrou em músicas e novelas, refletindo a linguagem jovem da época. A gíria se tornou parte da cultura popular brasileira, sendo usada em letras divertidas sobre amor, conquista e juventude.

Hoje, pode soar engraçado ouvir que alguém “foi azarar” em uma festa, mas essa gíria é um retrato vivo de uma época em que a paquera acontecia cara a cara, olho no olho, com toda a ansiedade e o romantismo juvenil.

Assim, “azarar” marcou gerações, mostrando como a linguagem acompanha as mudanças de comportamento e revela muito sobre a cultura de cada período da nossa história.

Azarar: a gíria dos anos 80 e 90 que marcou gerações

Se hoje em dia as pessoas falam em “flertar”, “dar match” ou “ficar”, nas décadas de 1980 e 1990 a palavra da moda era “azaração”. O verbo “azara(r)” era sinônimo de paquerar, cortejar ou tentar conquistar alguém, e fazia parte do vocabulário jovem, especialmente nas escolas, clubes, festas e praias.

A origem da gíria “azaração”

A palavra vem da ideia de “dar azar”, mas no sentido invertido: usar o papo, a postura e até o olhar para tentar “dar sorte” em conquistar alguém. No início, era usada de forma irônica, como quem diz: “Ele está azarando aquela menina”, significando que estava tentando chamar atenção e seduzir.

Com o tempo, o termo se popularizou tanto que passou a ser utilizado em músicas, programas de televisão e até em revistas para adolescentes.

Onde a azaração acontecia

Nos anos 80 e 90, não havia redes sociais ou aplicativos de relacionamento. O jeito era encontrar alguém pessoalmente. Os lugares mais comuns para azarar eram:

  • Baladas e danceterias – jovens se reuniam para dançar e puxar conversa.

  • Clubes e praias – os verões eram marcados pelas paqueras à beira-mar.

  • Escolas e faculdades – os intervalos eram palco de muitas histórias de azaração.

Azaração na cultura pop

Bandas e cantores também ajudaram a eternizar o termo. Na década de 1990, por exemplo, a palavra era comum em músicas de axé e pagode, estilos que embalavam festas e encontros.

Por que a palavra caiu em desuso?

Com a chegada da internet, novas formas de interação surgiram. O MSN Messenger, os bate-papos da UOL e depois o Orkut trouxeram novas gírias, substituindo “azaração” por termos como “xavecar” e, mais recentemente, “dar match”.

Hoje, embora pouco usada, a palavra ainda desperta nostalgia em quem viveu essa época, sendo lembrada como um símbolo de uma juventude mais espontânea, em que a conquista acontecia cara a cara.


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