Antes que você venha com
impropérios, sugiro a ti ler todo o artigo. Você até poderá discordar, no
entanto, saberá qual é a posição. Antes de tudo, sim, estudar é preciso, e
passar a vida aprendendo coisas novas é uma benção. E uma graduação é sempre
enriquecedora no âmbito intelectual. Na atualidade existem inúmeras facilidades
para ingressar no ensino superior; quem não passar nas concorridas federais
pode se aventurar numa particular. Mesmo, não tendo dinheiro para bancar as
mensalidades. Pois, existem programas estudantis e de financiamentos. Quem quer
concluir o sonho de pegar o canudo tem mais chance.
No entanto, formatura é
apenas um pequeno passo, outros maiores serão necessários para continuar trilhando
o caminho que almeja. Para o governo quanto mais gente formada, melhor. Dessa
forma, ele pode inflar os dados do país no exterior. Afinal, estatística é a
arte de torturar os números até que eles confessem o que se deseja.
A “força de vontade” do
poder público de querer todos nas universidades acaba tendo efeitos negativos
lá na frente. Por quê? Eu explico. Não é novidade para ninguém que o mercado
está cada vez mais competitivo e exigente, não estamos mais nos anos 60 onde
você acabava o segundo grau e tinha cinco empregos atrás de você, ensino
superior então já estaria feito na vida. Hoje, o seu melhor não é o suficiente,
a concorrência é grande, muitos são os formandos todos os anos. E os empregos não acompanharam
essa tendência. Apenas colocam-se pessoas em salas de aula ao mesmo tempo em
que vagas estão sendo cortadas em todos os setores.
É evidente que quem entra
para estudar tem uma boa perspectiva em relação ao futuro, acredita que pelo
menos com ela tudo dará certo. Mas, começa-se a estudar, muitos precisam
trabalhar para se manter, o aproveitamento já não será mais o mesmo daqueles
que tem a disponibilidade de só estudar. Mas, mesmo esses, chega um momento de
buscar um estágio. E acabam se deparando
com vagas bizarras: Estagiário com experiência. Incoerência, não é mesmo? Se
for estagiário é justamente para adquirir experiência, como alguém que recém
entrou terá tal experiência? E sem falar ainda dos cursos que tem estágio obrigatório
e no geral esses não são remunerados, ou seja, tem que literalmente pagar para
trabalhar.
O erro desses programas é
querer colocar todos em instituições de ensino, sem ter programa algum de
emprego no futuro. Nesse ritmo o Brasil em pouco tempo será uma nação com uma
população com nível superior, porém, desempregados. Sabemos que infelizmente os
brasileiros não tem uma visão de longo prazo, enxergam aquilo que está sendo
mostrado no momento. Não conseguem fazer uma ligação com o futuro, e, é nisso
que os políticos ganham. Pois, apresentam dados, verdadeiros, sobre a situação
do ensino universitário, mas, simplesmente omitem a situação do mercado de
trabalho.
E para quem consegue atuar
muitas vezes se pergunta se vale a pena tanto esforço para uma recompensa financeira
pequena. E tendo que se profissionalizar mais e mais. Hoje, não é difícil achar
vagas “absurdas” tendo pessoas que não encontram outra solução senão pega-las,
exemplo: Pessoa com MBA para salário de R$1300; ou telemarketing com ensino
superior. Parece gozação, não é mesmo? Mas, vagas assim já foram divulgas em
RHs.
Qual é a solução? O trabalho
e o ensino no Brasil tem que ser pensado
desde o seu inicio. E o país precisa muito, afinal, temos uma dos piores
ensinos do mundo. Então ser graduando no Brasil ou em outro lugar tem um peso
diferente. Pois o calouro daqui não teve o mesmo preparo que outros. O que se
deve fazer, além de melhorar a qualidade é seguir o exemplo das nações
desenvolvidas, ver desde a criança quais são as habilidades dela e já ir direcionando
para aquilo que ela é vocacionada. Não é nenhum demérito se ela não tiver aptidão
para uma graduação; em diversos países cursos técnicos contam mais do que um 3°
grau. O importante é ela fazer aquilo que gosta, e não o que esta na moda.