sexta-feira, 19 de fevereiro de 2016

O golpe da universidade para todos


Antes que você venha com impropérios, sugiro a ti ler todo o artigo. Você até poderá discordar, no entanto, saberá qual é a posição. Antes de tudo, sim, estudar é preciso, e passar a vida aprendendo coisas novas é uma benção. E uma graduação é sempre enriquecedora no âmbito intelectual. Na atualidade existem inúmeras facilidades para ingressar no ensino superior; quem não passar nas concorridas federais pode se aventurar numa particular. Mesmo, não tendo dinheiro para bancar as mensalidades. Pois, existem programas estudantis e de financiamentos. Quem quer concluir o sonho de pegar o canudo tem mais chance.

No entanto, formatura é apenas um pequeno passo, outros maiores serão necessários para continuar trilhando o caminho que almeja. Para o governo quanto mais gente formada, melhor. Dessa forma, ele pode inflar os dados do país no exterior. Afinal, estatística é a arte de torturar os números até que eles confessem o que se deseja.

A “força de vontade” do poder público de querer todos nas universidades acaba tendo efeitos negativos lá na frente. Por quê? Eu explico. Não é novidade para ninguém que o mercado está cada vez mais competitivo e exigente, não estamos mais nos anos 60 onde você acabava o segundo grau e tinha cinco empregos atrás de você, ensino superior então já estaria feito na vida. Hoje, o seu melhor não é o suficiente, a concorrência é grande, muitos são os  formandos todos os anos. E os empregos não acompanharam essa tendência. Apenas colocam-se pessoas em salas de aula ao mesmo tempo em que vagas estão sendo cortadas em todos os setores.

É evidente que quem entra para estudar tem uma boa perspectiva em relação ao futuro, acredita que pelo menos com ela tudo dará certo. Mas, começa-se a estudar, muitos precisam trabalhar para se manter, o aproveitamento já não será mais o mesmo daqueles que tem a disponibilidade de só estudar. Mas, mesmo esses, chega um momento de buscar um estágio. E acabam  se deparando com vagas bizarras: Estagiário com experiência. Incoerência, não é mesmo? Se for estagiário é justamente para adquirir experiência, como alguém que recém entrou terá tal experiência? E sem falar ainda dos cursos que tem estágio obrigatório e no geral esses não são remunerados, ou seja, tem que literalmente pagar para trabalhar.

O erro desses programas é querer colocar todos em instituições de ensino, sem ter programa algum de emprego no futuro. Nesse ritmo o Brasil em pouco tempo será uma nação com uma população com nível superior, porém, desempregados. Sabemos que infelizmente os brasileiros não tem uma visão de longo prazo, enxergam aquilo que está sendo mostrado no momento. Não conseguem fazer uma ligação com o futuro, e, é nisso que os políticos ganham. Pois, apresentam dados, verdadeiros, sobre a situação do ensino universitário, mas, simplesmente omitem a situação do mercado de trabalho.

E para quem consegue atuar muitas vezes se pergunta se vale a pena tanto esforço para uma recompensa financeira pequena. E tendo que se profissionalizar mais e mais. Hoje, não é difícil achar vagas “absurdas” tendo pessoas que não encontram outra solução senão pega-las, exemplo: Pessoa com MBA para salário de R$1300; ou telemarketing com ensino superior. Parece gozação, não é mesmo? Mas, vagas assim já foram divulgas em RHs.

Qual é a solução? O trabalho e o ensino  no Brasil tem que ser pensado desde o seu inicio. E o país precisa muito, afinal, temos uma dos piores ensinos do mundo. Então ser graduando no Brasil ou em outro lugar tem um peso diferente. Pois o calouro daqui não teve o mesmo preparo que outros. O que se deve fazer, além de melhorar a qualidade é seguir o exemplo das nações desenvolvidas, ver desde a criança quais são as habilidades dela e já ir direcionando para aquilo que ela é vocacionada. Não é nenhum demérito se ela não tiver aptidão para uma graduação; em diversos países cursos técnicos contam mais do que um 3° grau. O importante é ela fazer aquilo que gosta, e não o que esta na moda.


Um comentário:

  1. Verdade, infelizmente ainda muito jovens temos que escolher caminhos para nossa vida sem experiência e pouco orientados. Vocação não conta o que conta é o que podemos mas não oque queremos.

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