sexta-feira, 16 de novembro de 2018

O que escrever quando não se sabe o que dizer?




Escrever é um dom, isso é inegável.  Mas até mesmo o maior dos letrados tem seus momentos de não inspiração.  Há momentos que as palavras não vêm, as letras custam a surgir e a mente fica vagueando em busca de algo a dizer. Querer dizer algo, procurar um tema, mas o que se já escreveste de tudo? Para um contista uma borboleta pousando em uma margarida vira poesia, inspira os apaixonados e acaba em acordes de violão. Mas quando as idéias não surgem? A flor aguçará sua alergia e você descobrirá que tem fobia a mariposas: pronto, agora você terá um roteiro de filme de terror falando de borboletas assassinas.

É incrível que com 26 letras apenas pode-se preencher infinitas páginas. Mas o que escrever quando não se sabe o que falar? É incrível que a mais simples expressão: aí, até o complexo pneumoultramicroscopicossilicovulcanoconiótico ganha sentido com elas. Mas, quando não se sabe o que falar, quando não consegue se expressar, toda tentativa parecerá nula. E nenhuma junção de letras fará sentido.

Dizem que a única ciência irrefutável e a dos números, mas tente escrever sem ter nada a dizer. Até a mais complexa fórmula matemática se assemelhará a um embaralhamento de letras. E se não há nada para dizer números e letras tornam-se semelhantes: apenas caligrafados num papel sem nada acrescentar, sem demonstrar objetivo prático. Dizem também que o silêncio pode falar mais alto do que qualquer eloquente em um discurso. Pode falar, mas não escrever. O silêncio é bênção para sentar e escrever, as idéias vêm, mas quando não se tem o que dizer até o silêncio torna-se assustador.

O que escrever quando não se sabe o que dizer? Quando você quer reinventar a roda, mas, simplesmente a única coisa que ecoa em sua mente é sons de grilos. Rascunha, rascunha e nada, as folhas amassadas e jogadas ao chão vão se acumulando e você sem nada a dizer.  Quando não se tem nada a dizer, o melhor é não dizer.

quinta-feira, 1 de novembro de 2018

A Beleza da Morte

multicolored rose flower centerpiece


Vivemos numa época que as pessoas têm uma imensa necessidade de aceitação: carência é o nome disso. E quem resolve isso é um psicólogo e não um cirurgião plástico. É muito comum ficar sabendo de pessoas que tiveram alguma seqüela, ou que morreram. Tudo porque não se aceitam como são. Mas, observando as fotos de antes da cirurgia percebe-se que nada mais, nada menos do que a vaidade levou a essa decisão. 

Por quê? Por que é tão difícil de se aceitar? Qual é a necessidade de aumentar o volume de determinadas partes do corpo? Existe algum motivo de querer se exibir para os outros e se sentir melhor que seus semelhantes? Aparentemente, sim. Triste que muitas vezes o resultado não sai como o esperado, e ainda tem uma parcela que infelizmente acaba vindo a óbito. Tudo por causa da ditadura da beleza. A mídia é culpada, logicamente. Vendem um padrão que é impossível de ser alcançado. Nem as pessoas que supostamente seriam “o ideal” de beleza têm esse padrão. A maioria não sabe, mas fotos, vídeos, tudo que é publicado, passa por tratamentos de imagens, com programas específicos para isso. Propaganda enganosa? Se entender dessa forma, que seja. 

 E uma semelhança com todas que passaram por problemas na cirurgia, é que os “cirurgiões” trabalhavam sem todas as exigências necessárias, isso quando não eram clandestinos. 

É triste ver as conseqüências, mas sabe que tudo isso pode ser evitado se a luxuria não for um estilo de vida. Não queremos também isentar de culpa os profissionais que fazem as intervenções sem o menor preparo. Porém, o legal e o ideal seria a pessoa se aceitar e não buscar desenfreadamente tentar agradar aos outros. Tenha em mente que quer é teu amigo, é porque gosta de você dá forma como é. Não permita que a beleza ceife sua vida, não deixe sua família sofrer por um capricho seu. A vida é bela, o bonito é se aceitar. 

Se alguém não gosta de você por causa do seu corpo, não gostará de você por uma coisa fabricada.Se eu puder te aconselhar, não faça cirurgia somente por questões de vaidade, o preço pode ser alto de mais. 

terça-feira, 30 de outubro de 2018

Jornal do Passado: Novo continente é descoberto além-mar


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Quem diria que além-mar haviam terras e não monstros marinhos nem precipícios.  O navegador genovês, Cristóvão Colombo, desembarcou ontem, por volta das 2h da manhã no horário local, na ilha de Guanaani, próximo às Bahamas. Ainda não se tem a certeza das dimensões do novo mundo, mas várias outras expedições já estão agendadas para conquistar o novo território. A princípio imaginaram que haviam chegado as Índias, porém, em conversa com a tribo local perceberam que se tratava de outro povo: os lucaio.

E esse marco histórico se iniciou no dia 3 de agosto. Confiante que a Terra é redonda, vejam só, Colombo convence a realeza espanhola a patrocinar a viagem. Para tal foram disponibilizadas três caravelas: Santa Maria, Pinta, Niña e mais 90 homens para auxiliar. A saída do porto foi marcada por alguns protestos. Diogo Lorenzo esteve presente: É inacreditável o que fazem com nosso dinheiro, ontem mesmo enterrei um filho meu. Morreu de fome e o poder público pouco faz; mas para apoiar um lunático tem verba. Já Gonzalo Guerreiro, que tem uma barraca de peixes no porto, enxerga por outro ângulo: Cara, eu creio que a Terra é redonda, por que acho isso? Observe os astros, todos têm o mesmo formato, por que a Terra seria diferente?  

Colombo não provou a esfericidade da Terra, porém, conquistou territórios para a coroa espanhola. O rei Fernando de Aragão em nota disse que assim que Colombo voltar será condecorado com todas as honras. “ Nosso país merece, está no nosso sangue ser guerreiro, com novos territórios será um tempo de prosperidade para o nosso povo, sempre confiamos em suas intuições”, finaliza o rei.
E a descoberta atraiu a atenção de outros navegadores, o português Fernão de Magalhães, disse: Colombo nada provou sobre o formato da Terra, mas eu vou provar. Já estou planejando uma expedição, vou navegar até a Índia via ocidente.

A nova Terra ainda não foi batizada, porém, há uma corrente sugerindo que o nome deva ser Colômbia em homenagem ao herói nacional. No entanto, Américo Vespúcio diz que ainda é cedo para tomar essa decisão: “Pretendo fazer o mesmo caminho que ele fez e ir mais além, quero contornar todo aquele continente e ver a dimensão dele. Daí poderemos batizar, mas, não sou simpático ao nome de Colômbia. O Retorno de Colombo está agendado para o início do próximo ano. De momento ele vai colher mais dados, catalogar mais alguns mapas e interagir com as tribos locais. “Quanto mais se anda, mas se sabe”, esse e o slogan proferido por ele durante todo o trajeto.    

ESTE TEXTO É APENAS UMA BRINCADEIRA, SÓ UMA TENTATIVA DE IMAGINAR COMO QUE SERIA NOTICIADO O ACONTECIMENTO NA ÉPOCA. AÍ TEM REALIDADE, COM FICÇÃO. 



segunda-feira, 8 de outubro de 2018

Balanço eleições 2018 1° turno

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Ano de Copa também é ano de eleições presidenciais, e a de 2018 está sendo diferenciada das demais. Assim como as últimas quatro eleições essa será decidida no segundo turno.  Jair Bolsonaro X Fernando Haddad disputam a preferência do eleitor. O pleito será domingo, dia 28 de outubro.

Esta campanha foi a mais “pobre” de toda a história. O tempo de propaganda foi reduzido, bem como os materiais de campanha. Dessa forma a internet que foi a responsável por alavancar candidaturas. Provavelmente o mais beneficiado foi o candidato do PSL; não tinha fundo partidário, sem uma grande coligação e apenas 8 segundos de exposição na TV. Porém, nas redes sociais dominou, mais de 6 milhões de seguidores e batendo recordes a cada live feita. Ainda mais depois que ficou impossibilitado de fazer campanha, devido a facada. Toda essa soma levou-o a 46% dos votos. Estatisticamente ele vence as eleições. 1° Nunca quem saiu atrás ganhou, 2° Vivemos uma onda anti PT, 3° Quem votou no Geraldo Alckmin, João Amoedo e Álvaro Dias  não votaria em Fernando Haddad, 4° tempo muito curto para uma mudança brusca.

Fernando Haddad começou tarde a campanha, o PT teve por estratégia tentar Lula até o último momento, como não deu partiu para o plano B. Até teve uma ascensão, porém somente quando era apresentado como candidato do Lula. Afinal ele é um total desconhecido da maior parte do eleitorado, seu histórico na política: ministro da educação no governo Lula e prefeito de São Paulo 2012/2016. Não conseguiu se reeleger; perdeu para João Dória. Agora no 2° para presidente terá 20 dias para reverter: tarefa muito difícil.

Marina Silva da Rede foi a maior decepção. Tentando o planalto pela 3° vez viu sua votação desmoronar. Em 2014 ela brigava com Aécio Neves até os últimos dias para ir ao 2° turno, agora apenas 1% das pessoas confiaram o voto nela.

Álvaro Dias saiu menor do que entrou. Começou a campanha aparecendo com 6% e liderando no Paraná e segundo na preferência do Sul. Foi caindo, caindo até que o resultado das urnas saiu: menos de 1%.

Henrique Meireles não se explica, pelo menos não com nossa visão de mundo. Colocou na campanha 54 milhões de recursos próprios. Um montante bem considerável para alguém que não aparentava uma ambição. Acabou com pouco mais de 1%. Talvez o fato de ser o candidato do governo ajudou a não decolar, já que existem muitas denuncias de corrupção na atual gestão.

Ciro Gomes sonhava em herdar os votos do Lula, em certos momentos já se achava vitorioso. Porém, no principal reduto eleitoral, o nordeste não conseguiu tirar a herança destinada ao Haddad. Acabou ganhando apenas no Ceará. É bem provável que esses votos migrem para o candidato do PT.

Geraldo Alckmin, o PSDB se apequenou. Não conseguiu ganhar nem em São Paulo, tradicional reduto tucano. Teve o maior tempo de televisão, porém, a estratégia consistia em atacar o principal adversário. Pouca proposta foi mostrada.  

Cabo Daciolo é o candidato que caiu nas graças, com seu jeito irreverente e com sua forte demonstração de fé. Ele nos debates sempre era um caso a parte ficou lembrado pelo beijo que mandou para mãe e a “varoa” quando a pergunta foi sobre política sobre as mulheres.

Guilherme Boulos foi o mais jovem candidato à presidência até hoje. Aparentemente tinha uma linha de defesa do Lula. Essa foi a 4° eleição que o PSOL participou e foi a de pior desempenho.   

Não podemos esquecer-nos do dono do melhor jingle: Ey ey Eymael um democrata cristão. Não fez nada de relevante.

Vera Lucia do PSTU, João Golart Filho do PPL saíram da forma que entraram, sem alardes.


domingo, 30 de setembro de 2018

Política x Jornalismo


Certa vez ouvi a seguinte frase: jornalistas de hoje estão mais para reprodutores de ideologia. Analisando o atual cenário parece que é verdade. Fake news estão mais presentes do que notícias verdadeiras e muitas vezes a própria mídia colabora com isso, mas como?  Manchetes sensacionalistas, não ouvir todos os lados, tirar frases do contexto, colocar na boca coisas que jamais foram ditas e distorcer pensamentos.

A tentativa de manipular a opinião pública não vem de hoje, é coisa antiga. Mas, com o advento das redes sociais essa técnica se popularizou. O jornalista é um cidadão e tem todo o direito de ter sua visão sobre qualquer assunto. Vou ainda mais longe, o comunicador deveria ter o direito de expressar isso publicamente sem represálias. Mas, não é dessa forma que acontece. O que acontece é uma tentativa de desqualificar os adversários e por diversas razões isso acontece.

Nosso país peca também por ter um nível de educação baixo, a maioria recebe a informação, mas não questiona, não pergunta e nem pára para meditar se é verdade ou não. E é justamente aí que um boato toma coro. E já é comprovado que uma mentira se espalha muito mais rápido que a verdade. Quem transmite passa adiante por ingenuidade? Pode ser, e os criadores da “notícia” sabem disso. É triste ver que não há compromisso com a verdade, tudo por interesses próprios. Como já foi dito: defenda aquilo que acredita. Porém, não use de mentiras, debata no campo das idéias, deixe que cada um escolha um candidato com seus ideais. Ou será que recorrem à mentira justamente por que veem que a maioria da população não pensa da mesma forma que esses “intelectuais”. E sendo assim no campo das idéias não vencem.

A dica que dou aqui é simples: sempre questione, busque outras fontes e entenda todo o contexto. E jamais compartilhe nada que não tenha certeza de sua veracidade.   

Em tempo: este texto pode compartilhar!

domingo, 15 de julho de 2018

Os quatro campeões

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Mais uma Copa do Mundo chegou ao fim, e que Copa foi essa: grandes jogos e grandes “surpresas”. Seleções grandes caindo e as sem tradição passando. Mas, não por acaso: planejamento. O futebol mudou, e isso foi muito positivo. Hoje podemos presenciar evolução em todas as confederações.  Ganhar uma Copa ficará cada vez mais difícil, pois muitos estão se preparando e investindo para isso. Se antigamente dois ou três que tinham chances de ganhar, agora esse número é maior e crescendo a cada edição, o exemplo disso são os quatro semifinalistas. Surpresa? Só para quem não acompanha futebol mundial.


Todas as quatro que chegaram a Semifinal fizeram um planejamento para lapidar talentos e montar bons times. E desde as Eliminatórias essas equipes vinham conquistando vitórias, a Bélgica estava dois anos sem perder. O trabalho teve êxito, conquistaram a melhor posição de sua história (3° lugar) perderam somente da França. Foram recebidos como herói no país.

Inglaterra quarto lugar, para alguns pode não ter importância, mas, para eles foi uma conquista. O projeto deles é para 2022, o objetivo era chegar o mais longe possível nessa Copa. Conseguiram a semi, posição que não vinha desde 1990. Agora é só continuar nesse mesmo caminho, tem potencial essa equipe. Os inventores do esporte estão redescobrindo uma de suas maiores invenções.

Croácia, só conseguiu ir à Copa em 1998. Porém, não se esqueça: ela surgiu da dissolução da Iugoslávia. E assim que foi credenciada pela FIFA disputou as eliminatórias e de primeira: carimbou a ida para a Copa, na ocasião, na França ( quem diria). E que time guerreiro, mas, não foi o acaso que levou ao vice-campeonato. O Dínamo de Zagreb é um dos melhores times do mundo em formação de novos jogadores.

E o que falar da agora Bicampeã do Mundo, Terra do criador da Copa do Mundo: Jules Rimet. O Planejamento é mais longo que dos seus adversários, depois que ficaram fora das Copas de 90 e 94 houve toda uma reestrutura. Temiam não fazer uma boa Copa em casa, porém, como sabemos o resultado foi positivo: campeã naquele ano. O feito não foi repetido no Japão / Coreia, porém na Copa seguinte chegaram à final mais uma vez, mas o título foi decidido nos pênaltis: Itália tornou-se Tetra. E agora novamente, campeã. Há quem diga que isso só se deu por causa dos imigrantes, não. A França soube encontrar talentos e essa moçada ( que jogarão umas três Copas ainda) são franceses, descendentes de imigrantes, mas nacionalidade: francesa.

Por isso, não é nenhum surpresa o que aconteceu. Houve investimento, agora veio o retorno. Essas seleções voltarão ainda mais fortes e com mais desejo de levantar a taça. O pensamento já está lá em 2022. Todos com vontade de carimbar a estrela no peito. E quem ganhará? Como dito no começo do texto, as seleções evoluíram, não tem somente dois ou três, hoje se conquista nos detalhes. E esses detalhes só vamos conhecer lá no Catar, até lá. 

terça-feira, 10 de julho de 2018

Brasil fora


Brasileiro gosta de alguns chavões: complexo de vira-latas é um deles. Geralmente isso é pronunciado por pessoas de mente pequena que não conseguem ou não querem enxergar a realidade. Gosta de futebol e torce por seu time e sua seleção? Ok, mas isso não fará de ti um patriota. Analisar cenários e constatar que o futebol brasileiro não é mais o mesmo não  faz de ti um vira-lata. A mídia esportiva tem parcela de culpa nesse conceito. Gabam-se de conquistas do passado, vendem a ideia que esta tudo bem, e que as outras confederações, não. O torcedor desavisado acredita e se revolta com quem tem uma visão mais clínica do cenário.

O futebol globalizou-se, não há mais time bobo ( e isso não é chavão).  Muitas federações estão investindo e colhendo resultados de um trabalho de longo prazo. Mas, tem quem acredite que tradição ganha jogo. A realidade de hoje, não é a realidade de amanhã: a Hungria que diga.

Muita coisa extra-campo acaba pesando mais do que acontece dentro. No campo acaba sendo apenas um reflexo. Primeiro: falta humildade. Sempre o mesmo clima de já ganhou. Consegue resultados se classificando numa confederação aonde 50% das federações vão ao torneio, marcam amistosos com seleções sem tanta expressão: começa o oba oba, crendo que não perdem nunca. Quando vem um desafio de verdade o salto alto não é substituído pela chuteira.  Quem acompanha a Champions League nota de cara que o futebol sul-americano virou uma várzea.

Segundo, se tem o conceito que atleta é uma profissão e estão lá a trabalho, tem que estar lá a trabalho, e não numa colônia de férias. Família é importante? Sem dúvida, sucesso profissional nenhum justifica o fracasso em todas as outras áreas da vida. Mas, tem que separar as coisas. Se estiverem lá trabalhando, no momento de treino é trabalho. Não tem que ficar batendo foto com criança, com a mulher para provar que ama. É só não ficar pulando de galho em galho que provará que ama. O cidadão pode ter momentos de lazer, mas tem que manter o foco.

Futebol é jogo coletivo, quer individualidade vá jogar tênis de mesa ou golfe. Buscar quebrar recordes pessoais, querer aparecer mais que o conjunto, não dará certo. E essa dica não serve só para o esporte, serve para qualquer área da vida. “Porventura andarão dois juntos, se não estiverem de acordo?”.  

Deixe o passado no passado, ele até pode até servir como aprendizado, mas, nada pode fazer no presente.

domingo, 8 de abril de 2018

O Brasil que eu quero


A  principal rede de televisão do país está com um projeto no mínimo interessante. Utilizando das novas tecnologias e da vontade da população expor seu ponto de vista lançou a campanha: O Brasil que eu quero.  O conceito é bem simples: gravar um vídeo de 15 segundos dizendo nome, cidade e o que você quer para o país. Brasileiros gravaram um vídeo e encaminharam para uma possível exibição.  Dessa forma os principais telejornais da casa divulgam diariamente alguns desses pedidos. A idéia é mostrar pessoas de todas as cidades do país, são mais de 5000. 

É interessante notar que os desejos não mudam muito de lugar para lugar: segurança, educação e saúde têm sido os pedidos mais freqüentes. É evidente que existem lugares que estão melhores do que os outros, mas, isso não coloca os cidadãos em posição de conforto, pois ainda há muito que ser feito. Muitos ainda querem um país sem corrupção, e alguns ainda enfatizam: corrupção política. Mas, será que esse pedido pode não ter um significado real? O que de fato é corrupção? O dicionário assinala corrupção desta forma: “Corrupção é o efeito ou ato de corromper alguém ou algo, com a finalidade de obter vantagens em relação aos outros por meios considerados ilegais ou ilícitos. Etimologicamente, o termo "corrupção" surgiu a partir do latim corruptus, que significa o "ato de quebrar aos pedaços", ou seja, decompor e deteriorar algo.”

Muitos se gabam do jeitinho brasileiro, inclusive o país tem essa fama no mundo. Mas, o que seria esse jeitinho se não corrupção? Não estou falando que as pessoas do vídeo são, estou dizendo que essa característica está impregnada na cultura local. E que cada um faz aquilo que está ao seu alcance. O cidadão que fica com o troco a mais, que traz coisas do trabalho para casa, falsifica carteirinha para pagar menos no cinema, pratica pequenos furtos; esse se político fosse, estaria envolvido em escândalos.  

A Bíblia tem uma passagem que ilustra perfeitamente tal pensamento: “Aquele que é fiel nas coisas pequenas será também fiel nas coisas grandes. E quem é injusto nas coisas pequenas, sê-lo-á também nas grandes.” Lucas 16:10

É claro que corrupção é um mal que deve ser exterminado, pois atrapalha o progresso. Porém, é muito cômodo querer que outros mudem, é muito fácil apontar onde está o erro. Agora, mudar as práticas é mais difícil. Querer que os outros mudem chega ser até um ato de egoísmo. Pois, a mudança deve partir de si mesmo, preenchendo esse requisito, daí sim estará apto para exigir uma postura ilibada.

Respondendo a pergunta: O Brasil que eu quero? Quero um país livre de corrupção em todos os setores. Quero um país onde a atendente não precisará pagar o quebra de caixa, pois ninguém fica com o troco a mais; quero um país onde as pessoas devolvem itens perdidos como celulares e não liguem atrás exigindo resgate; quero um país onde se respeita autores e não façam cópias de obras sem os devidos direitos autorais; quero um país onde não aja água no leite, ar no combustível e papelão na carne. Quero um país que volte ao tempo do fio do bigode: onde era sim sim, não não. Enfim, poderia passar laudas e laudas dando exemplos e mais exemplos. Porém, creio que não seria ouvido ou teria como resposta: isso não é corrupção e o jeitinho que o pobre dá para viver. Ok, só não esqueça, o governo é o reflexo do povo.

terça-feira, 20 de março de 2018

Pelo bem da Copa do Mundo, Marrocos 2026

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Estamos às vésperas de mais uma Copa do Mundo, mas a FIFA já está de olho no torneio de 2026. Não pense que é muito cedo, está no momento exato para a escolha da sede. Nesta ocasião há dois postulantes: Marrocos que tentará pela quarta vez; e a candidatura tripla de Estados Unidos, Canadá e México. A votação será no dia 13 de junho. Vale lembrar que será a primeira Copa com 48 seleções, atualmente são 32.


A maior parte da crônica esportiva vê com desanimo o aumento do número de participantes, porém, com mais selecionados as receitas das entidades envolvidas crescem mais. É bem verdade que o futebol está mais competitivo do que era até pouco tempo atrás, porém, a distribuição das vagas não obedeceu a esse critério. Veremos diversas seleções estreantes e até é possível que apareça jogos sem qualquer apelo. Por exemplo, um selecionado da América Central com algum da Ásia.  Mas, antes de especulações de confrontos temos que saber onde será e o melhor cenário é o Marrocos.

A FIFA não vê com bons olhos candidaturas conjunta, tanto que rejeitou várias delas, o que ela dirá de uma tripla? Sem falar que outras que concorriam juntas tinham o mesmo padrão, o que não acontece com essa. México está muito longe de ser o que são EUA e Canadá.  A desproporção seria grande. E olha que não estamos falando dos embates políticos da região.

É bem verdade que a renda marroquina é menor do que um anglo-saxônico. Porém, o país é um dos mais prósperos do continente e está muito mais próximo da Europa, o que pode pesar na hora da escolha. O México já sediou duas Copas e os EUA outra; e o Canadá esteve em uma Copa. Marrocos seria inédito, seria a primeira do Norte da África. E é possível que todas as 54 confederações africanas  venha apoiar, o que já daria um grande salto.

Apesar de o país ser vizinho de uns “briguentos” como a Mauritânia e a Líbia isso terá pouco peso na escolha, aja visto que o Catar tem o mesmo histórico. A escolha de Marrocos seria exatamente para não tirar o brilho do torneio. O que poderá ocasionar um torneio com tantas sedes diferentes. O futebol é o palco principal, sim. No entanto, outros fatores como história e cultura acabam aparecendo. E pelo fato de terem costumes diferentes de ocidentais, torna a escolha ainda mais atraente.

É legal ver a integração dos povos através do esporte, e torneios proporciona isso. Por isso, é interessante que nações “esquecidas” possam protagonizar. E Marrocos tem tudo para fazer uma grande Copa do Mundo, por isso esperamos: Marrocos 2026.  

terça-feira, 13 de março de 2018

Mortadelas x Coxinhas


A que ponto chegou a população de nosso país. Nem parece que a nação é uma só, parece que foi dividida em dois grupos distintos que se odeiam. Mas, apenas os militantes de cada grupo, pois, líderes estão bem de boa entre eles. “Separe a sociedade por classes para enfraquecer, enfraqueça para dominar”, esse discurso é antigo, porém parece ser muito atual. E já alertamos: não é bom.

As redes sociais é a  principal propagadora dessa guerra ideológica, principalmente o Facebook. Não é difícil encontrar postagens difamatórias a pessoas com posicionamento político diferente. Algumas informações são até verdadeira, porém, as notícias falsas são as que se espalham com maior rapidez. Foram até batizadas de Fake News. E conforme as eleições se aproximam a coisa tende a piorar.

Para o desenvolvimento de qualquer nação ( ou ruína também) depende de uma série de fatores e de tempo. Nada é feito com um estalar de dedos, nada. O Brasil está um caos? Sim, de fato. Os chamados de mortadelas acusam os chamados coxinhas de causarem a atual crise. Afirmam que o país só está do jeito que está porque foram às ruas pedir o impeachment da presidente Dilma Rousseff.  Já o outro lado diz que a crise atual é conseqüência das decisões tomadas pela administração anterior, ou seja: governo PT.

Os problemas do Brasil vêm desde sempre, nunca se pensou em fazer um país sério. Interesses sempre regeram essa nação. Pouca coisa de fato foi feito, muita coisa só maquiagem para parecer que era beneficio para a população. Mas, na verdade não é bem assim. Atualmente muitos se gabam de poder comprar carros, casas, móveis. Mas, no entanto, crédito fácil não é sinônimo de prosperidade. Basta ela deixar de pagar para perceber isso. E mesmo que consiga pagar tudo, no final, pagou quase três vezes mais e o bem não vale nem metade. Mas, o triste é que existem políticos que se utilizam disso como plataforma. Usam dos mais humildes para continuarem no poder, eternamente se possível fosse.

É triste ver essa população, muitas vezes tão sofrida defendendo quem nada faz por ela, e ainda que fizessem estariam apenas cumprindo com suas obrigações. É triste ver que o Brasil é o país que mais gasta com políticos, os benefícios recebidos deixam qualquer executivo com inveja. É triste ver as pessoas se digladiando uma com as outras, enquanto seus mandatários estão por aí com foro privilegiado, andando de primeira classe, desfrutando de todo o luxo que o dinheiro pode comprar. É triste ver a população robotizada. Mas, essa é a herança que temos uma herança de não investir nas bases, fazer tudo superficialmente. É triste ver na situação que o Brasil chegou. Será que muda? Precisamos ser esperançosos, porém a mudança tem que ser individual, para o todo ser atingido. E conhecendo nosso povo creio que isso será difícil. Por hora continuaremos acompanhando a briga coxinhas x mortadelas. O lado vencedor será o lado dos políticos, pois essa divisão é perfeita para eles.

quinta-feira, 8 de fevereiro de 2018

Pé de melancia



Yago tem três anos, é um menino alegre e muito esperto. Comilão que só vendo, gosta principalmente de fruta: mamão, uva, pêssego, mas a melancia é a favorita. Gosta tanto que até se lambuza.
            - Como que é feita a melancia?
            Os adultos em volta ficaram pensativos com a pergunta. Embora a resposta seja simples não gostavam dessa fase das crianças que tudo tem que perguntar porquê.
            - Eles devem fazer com água da chuva.
            Ele aceitou a resposta e continuou saboreando outro pedaço da fruta. Dizem que criança esquece, mas não esquece. Uns dias passaram e nesse dia em específico estava chovendo, problemas para uma criança? Não, ainda mais para quem esperava ansioso por ela. Assim que percebeu correu para fora, levou uns potes e deixou lá.
            - Pra que isso Yago? – questiona a mãe.
            - Quero fazer melancia.
            - Mas de onde você tirou isso?
            - Você disse que fazem melancia com água da chuva, quero fazer melancia.
         - Filho, mamãe estava brincando. Sabe aquelas sementinhas que vem dentro dela? Então, você precisa plantar, daí nasce um pé de melancia. Mas você tem que deixar a semente secar primeiro.
            Dessa forma, fica mais simples compreender o processo de nascimento da fruta favorita. Agora ele só precisaria esperar o sábado chegar para irem ao mercado, lá comprariam. Com a compra feita é só esperar o momento de partir a fruta. Na hora de comer separou com cuidado cada carocinho, lavou, deixou no potinho e guardou em baixo de sua cama. No outro dia colocaria no sol para secar, estava feliz, queria plantar logo.
            Essa não seria a primeira experiência de Yago como “agricultor”  Ele já havia plantado milho, cavoucou diversos buracos, no meio da grama mesmo. E nessa ocasião, se desenvolveu muito bem a planta, a família não vencia comer. Embora à noite o milharal o assustasse. A cama ficava de frente para a janela, e a cortina era branca, quando se apagavam as luzes, a lua refletia a sombra do milharal na janela. A impressão que dava era que as plantas “caminhavam” ele tinha medo.
            Mas o milho era “amigo” nunca nada de assustador aconteceu de fato, somente a imaginação que consegue quebrar barreiras. No outro dia assim que o sol surgiu ele não levou o potinho para fora, ainda estava dormindo. Mas, logo após acordar levou o potinho com as sementes para o quintal: ficou observando. Logo foi ver desenho, mas entre um intervalo e outro ia chegar para ver se a semente tinha secado.
          A questão é que ficou alguns dias assim. Observava a semente, corria para dentro, observava, voltava para dentro. Na cabecinha dele ele tinha a informação ( certa ou não) que a semente tinha que estar seca para plantar. Não entendia, mas fazia o que ele achava que deveria ser feito. Só que essas sementes nunca foram enterradas, sumiu. Caía na hora de recolher, passarinho comia, até formiga levou; mas nada disso ele viu. Claro que o sumiço das sementes foi observado quando nada havia, foi questionar a mãe e ela não tinha palavras para explicar. É claro que ele poderia tirar outras sementes de outra melancia, podia só que ela já estava fora de época. Teria que esperar um ano.
            O ano passou e os supermercados voltaram a ter a fruta, queria tentar novamente, só que fizeram esquecer. No outro ano foram passar as férias na casa do tio, não plantou melancia, mas colheu a que seu tio havia plantado. Ficou maravilhado com o pé de melancia. Estava determinado, plantaria melancia em casa. No outro ano plantou, não nasceu. Não compreendia, mas a sementes não germinavam.
            Por um tempo ele se esqueceu do assunto, ainda gostava da fruta, porém não falava em produzir.  O tempo passou, observou que o quintal estava limpo e sem nada plantado. Teve a ideia de ir ao mercado e comprar  sementes, queria produzir e vender na vizinhança umas hortaliças, comprou: alface, couve, cenoura, melão e melancia. Nessa época ele já estava com uns dez anos, com o dinheiro da venda compraria um vídeo game.
            Plantou, regou, nasceu. Sim, finalmente nasceu, tudo que ele plantou, vingou. Claro que ele curtiu cada plantinha, mas a melancia era especial. E ele tinha jeito com a terra, sempre regava de manhã e no anoitecer. Dessa vez tinha tudo para colher, tinha. Numa tarde qualquer, choveu. Parece bom, né, afinal planta gosta de chuva. Só que o granizo que caiu não foi legal, destruiu quase tudo. Sobraram apenas uns pés de alface. Novamente ficou sem o fruto, e nem conseguiu vender o que sobrou se decepcionou.
            Muito tempo passou por hora ele desistiu de plantar, queria saborear sua própria melancia, mas não teve jeito. Num dia, numa roda de conversa com amigos o pessoal falava das pérolas da infância. Ele contou a história que contaram para ele de como era feita a melancia.
            - Quando era bem pequeno eu perguntei como era feito a melancia, me falaram que se  fazia com água da chuva.
            Ah, mas veja bem. A chuva faz crescer a planta, não está totalmente errado. - Nunca  havia pensado dessa forma. É verdade. 
Apesar da conversa não se animou em plantar novamente, e olha que nessa altura ele já estava com 25 anos. Mas mudaria de ideia, só questão de tempo. E esse dia chegou, visitou uma floricultura que vendia mudas de hortaliças, plantas. E dentre  elas havia de melancia. Comprou logo uma dúzia, plantou. Os pezinhos foram morrendo, somente um sobreviveu, aquele que ele plantou debaixo de um pé de jabuticaba. Cada dia que passava a planta ficava maior, começou a dar flores, a fruta começava a surgir e crescia cada vez mais rápido. Chegou a ter cinco melancias crescendo, se animou. No entanto, quatro delas não conseguiram se desenvolver, apenas uma cresceu.
No dia que finalmente ele conseguiu colher, quase não acreditou, até fotografou o momento. Colocou na geladeira para saborear no jantar, e conseguiu, finalmente depois de vinte e sete anos conseguiu comer uma melancia que havia plantado. O menino do passado não imaginaria o tempo que levaria, mas ficaria orgulhoso da conquista e do sabor da fruta. É uma pena que naquela época não teve a ideia de plantar um abacateiro também, pelo menos já estaria desfrutando a colheita.

 Esta é uma obra de ficção, qualquer semelhança com nomes fatos ou acontecimentos reais terá sido mera coincidência