sexta-feira, 18 de setembro de 2015

Hungria da migração ao muro


Há muito tempo a Europa não passava por uma crise de imigrantes como está passando atualmente, todos os dias centenas de pessoas ariscam a vida para chegar ao velho continente para ter uma perspectiva de vida. A maior parte vem fugindo da Síria, o desejo deles é ir até os países ricos como Alemanha e Suécia. No entanto tem uma Hungria no meio, há quem diga que os húngaros estão corretos, pois o território é deles e eles deixam entrar quem eles querem. Bem, vamos viajar um pouco no tempo e vamos até o ano de 1956, esse ano te diz alguma coisa? Nada? Então, depois das duas grandes guerras a maior onde de refugiados foi à crise húngara de 1956, na ocasião  mais de 200 mil pessoas fugiram para a Áustria e Iugoslava e é bom frisar que na época não havia um acordo de livre circulação. Mas, mesmo assim as fronteiras foram abertas a Áustria organizou um programa para auxiliar mais de 140 mil húngaros foram realojados em dezenas de outros países. Os húngaros que buscaram ajuda foram ajudados. E hoje a história está invertida, não é mesmo?

ENTENDENDO 1956

A revolta no país foi um levantamento da população contra o governo stalinista e contra as medidas impostas pela antiga URSS, o movimento deu inicio em 23 outubro de 1956 com uma manifestação de estudantes que marcharam pelo centro de Budapeste em 4 de novembro, o exército vermelho invade a capital e a resistência organizada chega ao final uma semana depois. E isso foi apenas o início. Após a derrubada da estátua de Josef Stálin e do caos instalado na nação o partido comunista húngaro entra em ação: Imre Nagy é nomeado chefe do governo. Tanques soviéticos chegam a disparar contra a população na Praça do Parlamento.

A Hungria vira um caos, políticos acabam tendo que renunciar população desesperada, pais com filhos buscam alternativas para proteger a família. E a solução encontrada é idêntica ao dos sírios atualmente: fugir dos conflitos.  Para se ter uma ideia no inicio de novembro a capital estava cercada por mais de mil tanques, Budapeste sofre bombardeios aéreos, os soviéticos rapidamente derrotam os húngaros. Estima-se que durante essa intervenção militar 20 mil pessoas perderam a vida. Nagy é preso e executado, János Kádár, simpatizante do regime soviético, tomou o poder no país.  13 mil pessoas acabam presas e mais de 2 mil processos políticos foram abertos. Os soviéticos mantem tropas no país até o início dos anos 90.

HUNGRIA 2015

A Hungria é notícia no mundo inteiro, é criticada pela frieza de não permitir que os refugiados entrem no país. E é bom lembrar, eles só querem utilizar como passagem, no destino desejado o governo abre as portas, mas é necessário chegar lá. Mas, cercas construídas impedem a passagem, quem um dia precisou de ajuda hoje esqueceu o passado e nega auxilio, o mesmo que um dia recebeu.

É bem verdade que na atualidade a Hungria não esta mais esse caos que estava nos anos 50, apesar de um nível de desemprego alto (8%) de ter uma parcela da população vivendo a baixo da linha pobreza, dentre outros problemas sociais. Problemas ainda existem, a Hungria é uma das mais pobres do continente. Mas, no entanto, a população vive melhor do que nas décadas anteriores.  Esse é o retrato social do país atualmente, mas o retrato humano, a grande mídia explora todos os dias.

O drama da imigração não se encerará tão cedo, a cada dia aumenta a quantidade de refugiados. O governo croata afirmou que permitiria que utilizassem o território para passagem, porém a bondade durou apenas dois dias, as fronteiras já foram fechadas.

A Hungria não aprendeu nada com sua história, até é justificável dizerem que a nação não tem como acolher, tudo bem, mas eles não querem ficar, eles só precisam transitar e ir para outros destinos. A Hungria de 1956 sangrou, chorou e foi acolhida, a Hungria de 2015 esqueceu o passado e gelou o coração.


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