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Vóóóóóóóóó
É dona
Jurema chegaram às férias e com os pais trabalhando as crianças ficam sem lugar
para ficar, resta apenas a casa da avó. É melhor preparar a jarra de suco e os
bolinhos de chuva, a tarde promete, afinal são três netos. Marina 5 anos ,Lucas
3 anos e Alberto 7 anos.
- Vó,
conta uma história para gente.
- É conta!
- Conta,
conta, conta - Em couro.
-Vamos
sentar lá na sala.
Jurema já
tem 80 anos, mas ainda é forte, lúcida e tem uma memória incrível.
Enquanto
se ajeita na poltrona ela aponta para uma medalha na parede.
- Vocês
sabem a história dessa medalha crianças?
- Não.
-Era
do meu pai, ele foi um herói de guerra, ele lutou na 2° grande guerra, isso a
muito, muito, muito tempo, a vovó era um pouco maior do que o Alberto, mas, me
lembro como se fosse hoje. Era uma manhã fria e nublada, meu pai recebeu um
telegrama convocando para uma batalha. Ele falou que era o dever dele defender
a pátria, nunca entendemos o porquê. Mas ele foi se despediu de mim da minha
mãe e de meus irmãos. Era o dia mais triste de nossas vidas até aquele
momento.
- Mas,
por que vovó.
- Na
época nem eu nem meus irmãos imaginávamos o que era uma guerra, na escola os
professores falavam que o conflito era para acabar com o mal no mundo, e que
não éramos para nos preocupar que tudo estaria sendo resolvido, ninguém ali
iria sofrer. Mas, não foi bem assim, alias foi muito diferente, muitas vidas
foram ceifadas, famílias destruídas e sonhos arruinados.
- A
senhora esta falando, falando, mas ainda não sabemos o significado dessa
medalha.
- Bem,
vamos direto ao assunto, então: Quando terminou a segunda guerra e os soldados
puderam voltar, ficamos tão felizes que fomos até o porto esperar meu pai. Já fazia
dois anos que não o víamos, estamos tão felizes até o cachorro dele levamos
junto, matamos o porco mais gordo tudo para comemorar a volta do meu papai.
Quando o navio atracou e começou a descer soldado por soldado, nosso coração, o
meu principalmente, disparou. Mas, meu pai não descia, minha mãe começou ficar
preocupada. Até que um homem veio e chamou ela e outras mulheres. Não
escutei o que ele havia dito, mas, o choro e a gritaria foi geral entre
àquelas mulheres. Meu pai, o bisavô de vocês havia morrido no conflito, não
pudemos nos despedir dele, só soubemos que a carcaça dele estava apodrecendo em
algum lugar da Polônia. Foi com essas palavras horríveis que o tenente deu a
notícia. Nosso chão caiu, minha mãe não sabia o que fazer como ela iria criar cinco
crianças sozinha?
Marina em
lágrimas: Eu não queria que você perdesse seu papai.
- Não
chore filha, vovó já superou, demorei é bem verdade, mas superei. Minha mãe foi
guerreira, acabou casando com um cara que não gostava para proteger os filhos.
Pelo menos acho que ela não gostava, aquele homem era muito amável sempre
cuidou bem de mim e de meus irmãos e claro da minha mãe também, creio que ela
foi muito grata a ele.
- Tá vó,
mas é a medalha. Um soldado não deve ser enterrado sem as suas medalhas, é o
mínimo que ele merece depois de matar tantos inimigos.
- É quem
são os nossos inimigos? Num dia um polonês e um alemão jogam bola e tomam um shop
junto, no outro viram inimigos somente por que um calhorda quis assim? Não, políticos vendem essa ideia estapafúrdia,
muitos acreditam e acabam entrando nesse jogo. Crianças, guerra é uma coisa
terrível, nunca mais vi meu pai por causa dela. Ele era um homem tão bom, não
matava nem mosca, amava todas as criaturas de Deus, eu creio que meu pai morreu
por se negar a matar. Depois de tudo isso, uns dois anos depois minha mãe
recebeu um envelope, nele havia essa medalha e uma carta do governo. Nela
estava escrito:
Sabemos
como é complicado não ter por perto quem amamos, mas, não podemos dizer que
lamentamos a morte, afinal ele não lamentaria, pois, prestou um excelente
serviço a pátria. Preservou o orgulho que temos de nossos símbolos, esperamos
que o luto tenha passado, pois um soldado não morre, nós ficaremos eternamente
gratos pela valentia e ousadia. A nação deve muito a ele, e como forma de
gratidão e reconhecimento mandamos aos descentes essa grande homenagem. (no
caso a medalha) Condolências a família do C546.
- C546?
- Sempre
acreditávamos que era um número de identificação, não sabemos ao certo. Só o
que sabemos é que essa medalhinha em nada substituiu meu pai, preferíamos ter
ele ao nosso lado, do que um objeto de cobre na parede. Penso no meu pai quase
todos os dias, é uma pena que não tenho nenhuma foto dele, sua imagem só existe
em minha lembrança.
- Vó,
quando eu for grande eu nunca vou para guerra, não quero ver a senhora chorando
pelo meu corpo.
- Alberto,
espero que não tenha mais guerra, espero que vocês não passem pelo o que eu
passei. Toda criança merece crescer com seus pais ao lado. Vocês tem sorte,
agradeçam sempre, seus pais sempre estão por perto, obedeçam eles, pois não
sabem como é triste viver sem um deles. Agora, chega de lembranças ruins: essa
medalha volta para parede, vocês vão brincar no quintal e eu vou tricotar uma
meia para cada um de vocês: Alberto azul, Marina Rosa e Lucas verde.
Esta é uma obra de ficção, qualquer semelhança com nomes
fatos ou acontecimentos reais terá sido mera coincidência.
Sua imaginação foi longe dessa vez Tiago! Adoreiiii!
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